O PASTOR À LUZ DAS ESCRITURAS

Nas Sagradas Escrituras a figura do pastor é apresentada de uma maneira singular. Ele é aquele que cuida, que ama e que é capaz de mostrar a direção a ser seguida, tanto de ovelhas como de pessoas. A conotação bíblica de pastor de almas é de alguém que é capaz de dar a vida pelas ovelhas, ainda que estas ovelhas não lhe pertençam.
Na Bíblia o termo pastor assume proporções imensuráveis quando vemos que Deus nos permite chamá-lo de pastor (Sl 23.1; Sl 80.1), também quando Ele próprio se compara e se apresenta como pastor do seu povo (Is 40.11; Jr 31.10), e ainda como aquele que constitui pastores, segundo o seu coração, para apascentar o seu povo com sabedoria e inteligência (Jr 3.15).
No Novo Testamento, Jesus Cristo, o Filho do Deus Vivo e que também é Deus, não tem vergonha de se apresentar como pastor (Mt 25.32, 26.31; Jo 10.11). Os escritores do Novo Testamento não hesitam em chamá-lo de pastor (Hb 13.20; 1Pe 5.4).
A função pastoral, preconizada no Novo Testamento, é de uma sublimidade sem igual, pois ela aponta para uma pessoa designada por Deus e por seu Filho Jesus Cristo, para cuidar do seu povo – sua igreja. Embora, no Novo Testamento haja outras palavras que apontem para o mesmo significado, tais como ‘presbítero, ancião e bispo’, nenhuma delas tem tanta singeleza e graça, quanto à palavra ‘pastor’.
"Na Bíblia o termo pastor assume proporções imensuráveis"
Os tempos pós-modernos, em sua corrida desenfreada e insaciável, geraram na liderança da igreja um anseio por títulos eclesiásticos que denotam poder e autoridade espirituais cada vez maiores, pois a fonte do poder parece não ser Deus, mas sim o título; logo subentende-se que quanto maior o título, maior a unção, maior o poder, maior a autoridade.
Por séculos, a igreja reconheceu o termo pastor como sendo a forma mais bíblica para designar aqueles que cuidam da igreja, entretanto, para alguns o termo se tornou ‘obsoleto’, daí a necessidade de se usar novos títulos, tais como ‘bispo’ (não no sentido de autoridade denominacional, mas o título como expressão daquele que tem mais poder espiritual). Mas este, logo perdeu sua pujança. Daí vieram os ‘apóstolos’, mas o número de apóstolos se multiplicou rapidamente e um novo título foi criado: o ‘paipóstolo’. Não sabemos quais serão os outros títulos, mas não duvidemos da possibilidade de, em breve, termos um ‘papa evangélico’...
Em decorrência desta corrida, muitos se auto intitularam “bispos e apóstolos”, mas o que de fato mudou na vida igreja? Bom, não podemos dizer que nada mudou, pois muitas igrejas se tornaram num ambiente de glorificação ao homem, onde as pessoas, e entre elas muitos pastores, se tornaram verdadeiros “devotos” destes líderes, a tal ponto que a palavra dos mesmos é inquestionável.
É lamentável ver que um seguimento da igreja de Cristo perdeu totalmente os fundamentos da fé cristã e da reforma protestante, e caminha em direção a um totalitarismo eclesiástico.
Finalizamos, conclamando a todos os batistas nacionais a serem bereanos, ou seja aqueles que averiguam todo e qualquer ensino, ou modismo, à luz das Escrituras (At 17.10,11), e a tomarmos uma posição, como Igreja de Cristo, e assim rejeitarmos todos os ventos de doutrinas, que muitas vezes têm aparência de sabedoria, mas que apenas expressam a vaidade humana.
Em nossas igrejas e na própria denominação devemos rejeitar de maneira contundente toda e qualquer tentativa de hierarquização eclesiástica, e valorizarmos apenas o ser pastor à luz das Escrituras, e tendo a consciência de que ser pastor é mais do que suficiente, e isto por um tempo, pois na eternidade todos os que têm este título o perderão, pois haverá um só pastor e um só rebanho (Jo10.16), e este pastor é Jesus Cristo.


