A
atual situação em que as igrejas no Brasil estão
vivendo, com sua membresia cada vez mais exigente, freqüentadores
sem referência de paternidade espiritual, que buscam consumir
nos meios de comunicação e em várias igrejas os
produtos que mais lhe satisfazem a alma, tem exigido dos Pastores uma
postura incoerente com seu próprio chamado ministerial que recebeu
do Dono da vinha. Os pastores, por andarem sozinhos, sem supervisão,
sem mentoreamento, sem prestação de contas e se sentindo
até abandonados e sem direção, aceitam as exigências
da igreja como legítimas e acabam gerando um círculo vicioso,
alimentando o desejo de consumo da igreja e recebendo dela a aprovação
ou a rejeição.
A Igreja no Brasil e no mundo, não sendo pastoreada nos moldes
apresentados pelo próprio Jesus, na forma como se relacionava
com seus discípulos, em última análise, revela
que os pastores não estão sendo pastoreados e discipulados.
Em função disso, não tem o hábito e a cultura
de pastorear pessoas individualmente, buscando um relacionamento individual
e profundo com elas.
Na persistência deste cenário, teremos conseqüências
drásticas tais como:
* decadência dos princípios morais na igreja;
* ruptura da família pastoral,
* abandono do ministério por parte do pastor,
* crises de identidade;
* aversão à mensagem da cruz, dos princípios morais
e da família, dentre outros.
Ao nos defrontarmos com este cenário sombrio para o século
XXI, se faz necessário meditar e observar os seguintes conselhos
amplamente debatidos nas preleções ministradas neste XVI
Congresso da ORMIBAN que nos estimularam a compreender que:
*
Há uma grande diferença entre Igreja e Empresa, cujos
focos divergentes são incompatíveis com a Missão,
Visão e Estratégias oriundas do coração
de Deus para a eklesia: cuidado e apascentamento de pessoas.
* Há necessidade de humilhar-se a si mesmo, diminuindo o EU,
pois só a graça de Deus nos basta, a fim de valorizarmos
as pessoas e não as funções. Nossa coroa e glória
é a cruz!
* Há necessidade de sermos servos e filhos. Para isto, se faz
urgente a restauração da alma e do coração
pastoral e de sua família, cujo retorno à sua humanização
dar-se-á por cura integral (corpo, alma e espírito) objetivando
restaurar a sua identidade em casa e na igreja.
* Há necessidade de se ter a capacidade de cuidar dos seus para
aprender a cuidar de outrem e para realizar as coisas com mais amor
e paixão sem deixar ou omitir o cuidado de pessoas (pastoreio).
* Há necessidade de termos a capacidade de interpretar a sensibilidade,
de se auto-perceber, bem como de apreciar a vida e os cenários
sociais nos quais estamos inseridos, e então compreendermos o
sentimento de outrem e da privacidade para interpretar o coração
da pessoa amada.
O
discipulado e o pastoreio da família pastoral é mandamento
de Jesus que nos deixa o exemplo de priorizar o indivíduo e não
a grande multidão, como acontece atualmente na grande parte das
igrejas.
Destarte,
os participantes do XVI Congresso Nacional da ORMIBAN aprovaram esta
carta com as seguintes considerações e recomendações:
*
Que cada pastor Batista Nacional retorne urgentemente seu foco ministerial
para o dAquele que O comissionou segundo o Seu coração:
cuidado e apascentamento de pessoas conforme o profeta Jeremias 3:15,
nunca esquecendo que sua coroa e glória é a cruz;
* Que cada pastor Batista Nacional, olhe para o colega não como
concorrente, mas como uma pessoa, um irmão em Cristo sujeito
às mesmas necessidades e carências, para que sem barreiras,
seja pastoreado e discipulado, bem como tornar-se um multiplicador desse
mentoreamento;
* Que, tendo o pastor Batista Nacional um currículo estampado
nos rostos da sua esposa e de seus filhos, ele só obterá
êxito no ministério quando aprender a amar e cuidar dos
seus;
* Que cada pastor Batista Nacional busque urgentemente dentre os colegas,
amigos que o enxerguem além de sua posição clerical,
a fim de poder compartilhar abertamente suas angústias, fraquezas,
aflições, dúvidas, conquistas e alegrias;
* Que cada pastor Batista Nacional retornando à sua humanização
promova a restauração da sua alma e do seu coração
pastoral e de sua família, restaure a sua identidade em casa
e na igreja. As feridas devem ser curadas. Para curar as nossas feridas,
precisamos compartilhar com nossos irmãos para sermos curados,
segundo o conselho de Tiago. O pastoreio mútuo não é
uma opção, mas uma estratégia de vital importância
para alcançarmos a vitória em nossas vidas.
* Devemos ser cooperadores do evangelho, entendendo que somos chamados
à servir ao próximo, à sociedade, e principalmente,
servir ao corpo de Cristo, trabalhando pela edificação
do corpo. É uma missão voltada para fora de si mesmo.
* Precisamos entender que não podemos viver sozinhos, independentes,
como alguém que não precisa de ajuda. Pastorear, também
significa permitir ser pastoreado, assim como não pode pregar,
quem não aprende a ouvir.
Pr. Antonio de Pádua Gomes de Matos – MT
Pr. Neirson Alves Pereira - MG
Pr. Filipe Ahrens Espindola – RS - Relator
Cuiabá, 17 de julho de 2008