“Sabe, porém, isto, que nos últimos dias sobrevirão
TEMPOS penosos” 2 Tm 3.1
Ter a capacidade de discernir tempos e épocas é uma habilidade
que o filho de Deus tem que investir em buscar. Quem adquiri essa capacidade
de leitura do tempo, enriquece seu leque de possibilidades e, descortina
horizontes (Mt 16.3 “E pela manhã: Hoje haverá tempestade,
porque o céu está de um vermelho sombrio. Ora, sabeis
discernir o aspecto do céu, e não podeis discernir os
sinais dos TEMPOS?”). Quem alcança esse discernimento,
torna-se capaz de entender a cultura do tempo que o envolve, passa a
entender a influência espiritual maligna no mundo físico
hoje e, principalmente, alcança a clareza do entendimento acerca
da vontade de Deus para o seu Ministério e para a Igreja de Cristo.
Há uma dúvida enorme acerca da definição
do que vem a ser Discernimento. Discernir é uma habilidade da
mente humana que propicia ao homem entendimento pleno das coisas e situações
que o envolvam ou estejam a sua volta. O que diferencia o discernimento
espiritual do natural é a presença do Espírito
Santo na vida do ser humano, que injeta em sua mente sensibilidade espiritual,
visão (clareza) espiritual e intuição. Essas injeções
aguçam a habilidade humana, e tornam o homem espiritual capaz
de concatenar os eventos e ocorrências desse tempo, e assim o
habilita a pensar conscientemente e a escrever a verdadeira história.
O portador do discernimento espiritual faz uma leitura clara da realidade,
sem as manchas ofuscantes impostas pelo Império das trevas. O
espiritual torna-se claro para o entendimento, enquanto que ao homem
natural, ou seja, para os olhos naturais não faz sentido e nem
tem significado (1 Cr 12.32 “dos filhos de Issacar, duzentos de
seus chefes, entendidos na ciência dos TEMPOS para saberem o que
Israel devia fazer, e todos os seus irmãos sob suas ordens”).
Essa habilidade mental e espiritual proporciona-nos uma leitura do tempo
que ora vivemos. Assim, ao direcionar nossos olhos espirituais para
enxergar por detrás das manchas malignas, veremos e identificamos
essa época como TEMPOS PENOSOS. Não apenas por que estamos
vendo todos os dias o crescimento da violência, das guerras, da
intolerância religiosa e o crescente número de drogados
e viciados. Mas sim, pela evidente leitura dos tempos no Mundo espiritual,
tempos de ausência de paz não fora do Reino, mas dentro
das fileiras do Reino de Deus, ou dentro das fileiras do pseudo-reino.
Pois aos verdadeiros súditos é dispensada a PAZ de Cristo.
Mas, encontramos perturbações contínuas da paz
e crescente apostasia no Ministério. (2 Cr 15.5 “E naqueles
TEMPOS não havia paz nem para o que saia, nem para o que entrava,
mas grandes perturbações estavam sobre todos os habitantes
daquelas terras”). Teologias oportunistas, mercantilismo no evangelho,
facções, heresias dissimuladas e muitas outras anomalias
que infringem ao Reino de Deus perda de credibilidade.
Algumas sutilezas precisam ser identificadas.
Elas são cruciais para que não sejamos engodados e desfalecidos
nesse tempo. Senão, vejamos:
1) Incertezas a curto, médio e longo prazo. Mesmo planejando
ações, escrevendo projetos e antecipando medidas, esse
é um tempo de difícil certeza quanto ao sucesso esperado
dos planos que envolvam solidez, crescimento e sustentabilidade ministerial.
Por um sem fim de pontos inconsistentes nesse tempo. Entre muitos podemos
citar, para dar mais clareza: Incertezas econômicas, inconstância
das pessoas, inconsistência dos planos, falta de compromisso dos
parceiros e companheiros de caminhada, etc. Sempre temos que alocar
um plano de contingência para complementar ou substituir, sempre
que necessário, os furos que podem ocorrer no desempenho das
ações e tarefas que empreendemos, com o objetivo de alcançar
os alvos estabelecidos. Com isso, experimentamos morosidade, e até
mesmo desventuras em alguns projetos. O que ocasiona? A desmotivação.
2) Interesses pessoais acima dos coletivos da irmandade. Essa é
uma leitura de fácil constatação, evidente inclusive,
pois quando olhamos as famílias que frequentam nossas igrejas,
encontramos nas ovelhas e, nas pessoas que nos cercam: Egocentrismo
latente. É só verificamos a frenética busca pela
satisfação pessoal nos relacionamentos interpessoais.
Há uma intolerância generalizada, uma falta de interesse
em se relacionar, se não houver alguma espécie de lucro,
conviver com as diferenças e valorizar a diversidade não
é oportuno e nem prático. Na verdade, precisamos entender
que na diversidade encontra-se à riqueza. Se no ambiente que
nos é mais próprio, que é a família, encontramos
essa dificuldade, logo esta se apresentará nos relacionamentos
mais superficiais como o profissional o social e nos convívios
das instituições das quais fazemos parte. E obviamente
abarcado está ai o Ministério Pastoral que vem refletindo
mesmo comportamento.
3) Secularização. Esse é tempo de investimentos
em projetos voltados para fora, ou seja, da busca melancólica
pela possibilidade de crescimento e colocação no mercado,
digo assim, pois não se tem a certeza dos louros da vitória
nos projetos, portanto investe-se, atirando-se no escuro. Enfrenta-se
a tirania do deus desse tempo, o Mercado. Verificamos claramente o afastamento
das pessoas uma das outras, da família, da igreja, dos amigos,
basicamente de tudo que pode tornar alguém sociável, realizado
e feliz. Tal tirania envolve todo o ser, a ponto de produzir a doença
da modernidade, o stress. E, principalmente a doença da alma,
a depressão. Cada dia mais se evidencia a profissionalização
do ministério. Foco centrado nos resultados, números e
gráficos. Deus está longe desse modelo de ministério.
4) Ignorância Espiritual. A falta do discernimento do Mundo Espiritual
é uma característica evidente de TEMPOS PENOSOS. Verificamos
a volta Do estado espiritual da Idade Média, total ignorância
acerca das coisas do Espírito. O tempo presente está voltado
para a espiritualidade não para o governo de Deus, o Espírito
Santo. A informação do que importa é que se deve
ter contato com o espiritual. Logo, vemos uma mistura incoerente de
ocultismo, com espiritualismo, com cristianismo, com evangélico
e etc. O conhecimento de Deus e, sua verdade não é o que
importa. O importante é o que se pode absorver de benefícios
para a satisfação pessoal dos desejos. Esse é um
tempo da aplicação do espiritual no mundo físico.
Não se busca a Deus pelo que Ele é, mas sim pelo Ele pode
fazer, ou dar em troca. Temos Ministros vendidos a esse jogo que só
interessa ao Império das Trevas. Verdade é: Estamos em
tempos apóstatas, tempos do fim.
Como manter-nos isentos, manter-nos fiéis ao chamado, cumprindo
o Ministério nos outorgado? (1 Tm 4.1 “Mas o Espírito
expressamente diz que em TEMPOS posteriores alguns apostarão
da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas
de demônios”).
Na Palavra de Deus, A Bíblia Sagrada, O MANUAL DO MINISTRO DE
DEUS, encontra-se a receita para se enfrentar, com vitória, os
levantes indignos desse tempo. Vejamos:
A) TER O SENHOR COMO REFÚGIO. (Sl 9.9 “O Senhor é
também um alto refúgio em TEMPOS de angústia”).
Nem precisaria comentar. Mas, sou Pastor, e não perderia a oportunidade
de pregar a verdade. Ter o Senhor como refúgio é mais
do que meramente encontrar um ponto de apoio. Para os filhos de Deus,
principalmente os seus ministros, seria mesmo um bunker espiritual,
local onde nos tornamos inatingíveis na batalha contra as intermináveis
tentativas de nossos inimigos espirituais, em nos destruir. Abrir mão
dessa grande proteção, dessa graça indescritível,
seria suicídio espiritual. E, quantos estão tomando está
atitude, afastando-se do Senhor, pois seguros de si, muitos ministros
estão se achando inatingíveis. Esse tempo é oportuno
para a volta a Deus. É oportuno para reavalição
de rumos: “O Ministério é de Deus e deve ser cumprido
em Deus!”
B) PRIVILEGIAR A JUSTIÇA. (Sl 106.3 “Bem-aventurados os
que observam o direito, que praticam a justiça em todos os TEMPOS”).
Mas não apenas a justiça humana, a lei dos homens, A Constituição
e os códigos. Jesus o Senhor dos ministros, em sua instrução
aos discípulos enfatizou veementemente que a nossa justiça
deve exceder a dos homens para termos acesso ao Reino (Mt 5.20). A aplicação
da expressão “exceder”, tem sim o cunho enfático
do ir além, da exigência em ser a nossa justiça
mais criteriosa, que contemple a verdade por detrás dos fatos.
Não uma justiça conveniente as posturas e interesses dos
poderosos, no caso óbvio dos próprios religiosos. Mas
a que coaduna com o Senhor, justiça nossa! (Jr 23.6). A justiça
divina torna suportável a vida em dias penosos, pois a nossa
segurança, não é outra senão o próprio
Senhor.
C) CONFIAR NO SENHOR. (Is 33.6 “Será ele a estabilidade
dos teus TEMPOS, abundância de salvação, sabedoria,
e conhecimento; e o temor do Senhor é o seu tesouro”).
Esse item é básico, sem confiança no Senhor não
é possível uma parceria de intimidade com Ele. O sucesso
do Ministro advém necessariamente da confiança irrestrita
no seu Senhor. Ele protege os seus, acondiciona-os em lugar seguro,
ajuda-os e os socorre (Sl 91.1). Os ministros, em especial, precisam
dessa proteção, o inimigo os tem como alvo, o Senhor Jesus
clarificou esse interesse maligno (Mt 26.31). Nesse tempo inglório,
em que a glória do ministro se afasta da glória de Deus.
A confiança no Senhor deve ser revitalizada. Os que confiam no
Senhor têm forças renovadas e podem enfrentar esse tempo
com vigor (IS 40.31).
D) SUBMETER AO GOVERNO DE DEUS. (Dn 2.21 “Ele muda os TEMPOS e
as estações; ele remove os reis e estabelece os reis;
é ele quem dá a sabedoria aos sábios e o entendimento
aos entendidos”). Essa talvez seja a decisão mais difícil
para a vida de um Ministro, por incrível mais incrível
que possa parecer à assertiva. Pois a autossuficiência
do líder cristão acometeu o Pastor da pandemia da grandeza.
O subir as alturas (Is 14.13,14), se tornou corolário necessário
para a evidência do êxito ministerial. Submeter é
pôr-se debaixo, no caso, seria ir para debaixo do controle pleno
do Senhor. Assim, o peso desse tempo seria amenizado e, em muito seria
facilitada a caminhada da condução do rebanho de Deus.
Não mais a conveniência da presença do Senhor, mas
sim, a indispensabilidade de sua governança.
E) MUDAR ATITUDES. (At 3.19 “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos,
para que sejam apagados os vossos pecados, de sorte que venham os TEMPOS
de refrigério, da presença do Senhor”). Arrependimento
é a mais acertada das decisões que o homem pode tomar.
Arrepender-se é retomada do caminho da volta (Lc 15.18). O ministério
com novos rumos, com novas vestes, desempenhado por homens que decidiram
realmente seguir o Mestre Jesus. Caminhando como o Pastor dos Pastores
caminhou: Ouvindo mais e falando menos, caminhando mais com as pessoas
e exigindo menos, perdoando a todos e não rompendo com ninguém,
amando sempre e odiando nunca.
Verdade é que teremos grandes dificuldades e oposições
nesses TEMPOS PENOSOS (Jd 18 “os quais vos diziam: Nos últimos
TEMPOS haverá escarnecedores, andando segundo as suas ímpias
concupiscências”). Mas, também, certo é, que
com o uso dessas vertentes bíblicas nos tornaremos diferenciados,
e nos poremos no cerne da vontade de nosso Deus. Seremos verdadeiramente
Ministros qualificados, mais que vencedores ante esses TEMPOS PENOSOS.